Em cerimónia dirigida pelo Vice-Reitor de Administração e Finanças, Silvério Samuel e testemunhada pelos Directores e Chefes de Departamento da Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), teve lugar na manhã de 19 de Novembro de 2021, a tomada de posse de novos directores do Gabinete do Reitor.

 

O Prof. Doutor Anselmo Orlando Pinto foi nomeado pelo Reitor da Joseph M. Wamala para exercer o cargo de Diretor Científico de Pesquisa e Extensão com efeitos a partir de 19 de Novembro de 2021. O novo Diretor Científico de Pesquisa e Extensão é doutorado em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Urbaniana – Roma.

Anselmo Orlando Pinto faz parte do quadro de servidores da USTM e desempenhava até a altura da nomeação, o cargo de Chefe do Departamento de Pesquisas e Publicações, unidade que coordena as actividades de Pesquisas e Publicações na USTM, cabendo ainda, fomentar a investigação e a produção de conhecimento científico nas áreas de interesse do país.

Ainda em despacho separado e no uso das funções, o Reitor Joseph M. Wamala nomeou Jochua Baloi, doutorado em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro para o cargo de Director do Gabinete do Reitor.

Para além do novo cargo, Jochua Baloi mantém ainda a prerrogativa de continuar a dirigir o Gabinete de Relações Públicas, Cooperação e Protocolo que presta assessoria ao Reitor na cooperação entre a USTM com instituições domésticas e internacionais.

 

Como imortalizar o seu legado?

Falar da vida e obra de Sua Eminência o Cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos é, e será sempre um exercício que exige elevada capacidade de abstração para narrar todo um percurso e uma trajectória (caracterizados por suas incansáveis lutas, suas vitórias e porque não suas derrotas), e todos eventos que caracterizaram a odisseia religiosa, educacional e humanística desta que é uma figura incontornável na história de Moçambique. Para não pecar por soberba, e não perder de vista o objectivo deste texto de agradecimento, enaltecimento e despedida, focar-me-ei apenas no cerne - Um Homem ao serviço de muitas causas.

A Época Medieval é cronologicamente considerada o período mais longo da história da humanidade (com mais de 1000 anos). Período este marcado pelo surgimento das primeiras Universidades no mundo. Nesta época, a filosofia e a teologia viveram de forma única a rivalidade entre a fé religiosa e a razão científica; um conflito que opunha a religião à ciência e desafiava a cada instante as tentativas de conciliação e harmonização destes dois domínios do saber sem necessariamente anulá-los, numa fórmula traduzida na fé alicerçada na razão e, na razão que ajudaria a perceber a fé. (Intellectus quaerens fidem, et fides quarens intellectum.

Um dos mais brilhantes e notáveis pensadores da época em alusão foi Tomás de Aquino - (figura que desempenhou grande influência na cosmovisão teológica e educacional de Sua Eminência o Senhor Cardeal Dom Alexandre). Durante o seu percurso académico Tomás de Aquino foi instruído por Alexandre Magno (o Grande). Curiosamente, o nome Alexandre, mestre de Tomás de Aquino é o nome de baptismo do Senhor Cardeal - aproximações e coincidências que corroboram para a ideia da grandeza do nome em referência.

De certo, nestas breves linhas é complicado falar dos 103 anos de vida do Senhor Cardeal, tempo em que viveu e fez viver, tempo em que disseminou a fé, comunicou a esperança, semeou o amor e educou o seu povo. Na sua peregrinação terrena colheu os frutos da sua incansável luta por uma sociedade mais capaz, mais justa e intelectualmente emancipada. E são esses frutos que se devem encarregar de garantir a continuidade dos seus ideais.

Dom Alexandre foi muito mais do que uma figura eclesiástica comprometida com a causa do bem-estar social, crescimento, coesão da Igreja Católica e do catolicismo em Moçambique, do Ecumenismo vibrante e da difusão da mensagem de Deus por todo o lado e em várias línguas. Para ele a fé tinha o poder de quebrar barreiras e unir povos (sejam eles considerados civilizados ou indígenas), e para isso as línguas nativas serviram de veículo e ferramenta estratégica de penetração e evangelização nas comunidades.

Foi um incansável peregrino da paz; astuto e apaixonado amante pela ideia de uma educação para todos e em todos níveis. Sua filosofia e ideia transformadora era clara – somente investindo mais e expandindo a educação se poderia criar bases sólidas para emancipar e desenvolver a nação, e consequentemente sonhar com um Moçambique mais inclusivo e mais próspero. Daí a sua luta assaz contra a pobreza absoluta e o seu compromisso vincado com a formação do Homem.

Sua grandeza transcende a imagem que muitos de nós temos – Patriarca da Igreja, primeiro Sacerdote e Bispo moçambicano. Na verdade Dom Alexandre foi um cultor, um educador visionário e um humanista douto com visão ampla da realidade do país e com cega convicção de que a educação do homem conduz à libertação e à emancipação das mentes dos moçambicanos.

Dos vários momentos de partilha, fossem eles na Universidade, na Igreja e nos Seminários bem como em eventos públicos e privados, algo deliberadamente se repetia, entre a preocupação presente e o sonho futuro: o paradoxo entre a riqueza do país e a incapacidade de transformar essa riqueza em algo útil para os moçambicanos. Segundo dizia, Moçambique não é um país pobre; pelo contrário, é muito rico e mal explorado. O problema reside na falta de preparo e no défice enorme de conhecimento e precisa-se de mentes para transformar esta riqueza no bem-estar de todos.

As lentes visionárias do futuro, a crença na mudança de paradigma social, económico e educacional, e a transversalidade primeiro do seu pensamento, e depois da sua acção fizeram de Dom Alexandre José Maria dos Santos uma das figuras de Moçambique contemporâneo de maior destaque, com projectos e obras transgeracionais que vão desde a formação de Padres dentro e fora do país, passando pela intermediação do conflito entre a FRELIMO e a RENAMO que culminou com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz (1992), à formação de vários quadros superiores em várias áreas e domínios do saber.

Dom Alexandre, foi um dos mais sagazes impulsionadores das artes liberais e ciências do espírito no país, e desafiou centenas de jovens estudantes universitários e seminaristas (fazendo uso de ferramentas éticas, teológicas, filosóficas, e humanísticas) a pensarem com liberdade intelectual, e de forma crítica e analítica, uma postura importante para a edificação de um Moçambique melhor. Foi um cultor do saber Ser, saber Estar e saber Fazer. Foi acima de tudo, alguém muito preocupado com as questões éticas e com a dimensão da dignidade humana – ditames estes herdados da filosofia escolástico-medieval de São Tomás de Aquino.

E é sobre estes e outros feitos de Sua Eminência o Cardeal Dom Alexandre, que nós, a geração do hoje devemos assentar a nossa reflexão e acção. Replicar vivamente sobre as gerações vindouras e incutir a necessidade permanente de pensar no Outro; Uma reflexão centrada no homem concreto como um fim e não como um meio. Viver e ensinar a criação de modalidades e estratégias de desenvolvimento do que foi iniciado por Dom Alexandre.

A coragem para iniciar novos e ambiciosos projectos, a ideia viva e prática do altruísmo, o espírito de criar e buscar novas realidades, e o desejo de ver um país mais educado, desenvolvido e próspero são algumas das licções práticas que Sua Eminência o Cardeal Dom Alexandre nos deixa. Foi mais de um século de um homem talhado para a vida do bem-estar do próximo. Saibamos viver e honrar os seus feitos, os seus ensinamentos e imortalizar sua obra fazendo do nosso país uma referência no rendez-vous civilizacional.

Obrigado e até sempre Cardeal Dom Alexandre!

Por: Hélio Guiliche (Filósofo)

A Universidade São Tomás de Moçambique (USTM) decretou uma semana de luto, por ocasião da morte de Sua Eminência, Cardeal-Presbítero Alexandre José Maria dos Santos.

A urna de Sua Eminência Dom Cardeal Alexandre José Maria dos Santos chegou por voltas das 11.30h de Terça-feira, 5, na Sede da USTM, transportada pelo cortejo militar e coberta pela bandeira de Moçambique, para um momento ímpar que, marcou a homenagem do fundador e patrono da USTM, falecido aos 103 anos, no passado dia 29 de Setembro, vítima de doença. 

Coube a Dom Francisco Chimoio, Arcebispo da Diocese de Maputo, dirigir a celebração Eucarística e pediu a Deus que “receba o seu servo”.

Dom Francisco Chimoio descreveu o fundador e patrono da USTM como um homem humilde que dedicou a sua vida a Deus e a praticar o bem.

Por seu turno, o Reitor da USTM, Joseph Wamala, disse que Sua Eminência Dom Cardeal Alexandre José Maria dos Santos foi um homem abençoado, justo, de paz e visionário.

“Partiu o nosso guia, o nosso pai. Foi um homem simples no seu falar e simples no seu estar”, destacou o Magnifico Reitor, Joseph Wamala, durante o acto de homenagem em que centenas de presentes deram o último adeus a Dom Alexandre.

As cerimónias fúnebres oficiais e enterro do Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Maputo que tiveram lugar no dia 7 de Outubro de 2021, na Sé Catedral de Maputo contaram com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusy que, numa mensagem de condolências referiu que “Moçambique perdeu um dos seus melhores filhos, com a morte do cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos”. Na mesma mensagem, Filipe Nyusi, sublinhou que o Cardeal destacou-se no mundo pelo seu empenho, para o bem da humanidade, independentemente da posição social, raça, ou outras formas de distinção.

Refira-se que, os seus restos do Cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos foram depositados na parte traseira do altar da Sé Catedral de Maputo. E assim se procedeu, não só pelas normas, mas pelo reconhecimento dos 28 anos de trabalho que o Arcebispo Emérito prestou à Arquidiocese de Maputo.

Naquele local, estão disponíveis três covais, estando dois praticamente ocupados, um desde 1962, pelo primeiro cardeal em Moçambique, Dom Clemente de Gouveia e, o segundo, pela urna do Dom Alexandre dos Santos. O terceiro espaço, ainda encerrado, aguarda por um Romano Pontífice, Cardeal ou Bispo Diocesano, conforme mandam as normas.

 

Em Moçambique, o dia 7 de Setembro é o Dia do Acordo de Paz de Lusaka, também conhecido como “Dia da Vitória”. O dia remonta ao tempo em 1974, quando a guerra sangrenta pela independência de Portugal finalmente chegou ao fim com a assinatura do Acordo de Lusaka. Em consequência do feriado nacional, a Universidade São Tomas de Moçambique esteve encerrada.

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