FUNDAÇÃO

CARDEAL DOM ALEXANDRE JOSÉ MARIA DOS SANTOS

 

FUNDAMENTAÇÃO 

Desde cedo se manifestou em mim um desejo profundo de contribuir de forma pessoal para o desenvolvimento do Povo Moçambicano, considerando o homem no seu todo. A formação humana nas suas diferentes vertentes, a cultural, académica, técnica, mas sobretudo a moral e cívica, foi um dos objectivos maiores traçados desde sempre.

Em diversas ocasiões manifestei esta preocupação de que o nosso País não se pode considerar totalmente livre e independente enquanto não alcançar níveis superiores na educação e formação para os seus cidadãos, quer em quantidade quer em qualidade. A luta contra o atraso no desenvolvimento, a vários níveis, a proliferação de doenças cuja cura só se torna difícil apenas por falta de domínio da ciência e da técnica, a dependência em relação ao exterior, nos ramos económico, político, cultural e outros, são, dos mais importantes factores que determinaram que eu me envolvesse pessoalmente na criação de condições de educação e ensino para o povo moçambicano, sobretudo para as camadas mais desfavorecidas.

Muito embora reconheça o esforço que tem sido desenvolvido pelo Governo do País, certo é que o caminho ainda a percorrer é muito longo.

Ao longo de toda a minha vida de sacerdote, arcebispo e cardeal, fui chamado a entrar em contacto directo com a parte mais difícil do nosso Povo. Não foi por acaso que adoptei como divisa para toda a minha actividade pastoral a frase “SERVIR E NÃO SER SERVIDO”, porque entendo que eu é que estou ao serviço dos meus irmãos e não o contrário.

A minha nomeação para Arcebispo de Maputo abriu-me as portas para um conhecimento mais aprofundado de entidades, instituições e personalidades em todo o Mundo, aliado à facilidade de adaptação aos mais diferentes ambientes no universo da diversidade humana. Granjeei muitas simpatias e vi nisso uma grande oportunidade para colocar o interesse dos que mais sofrem acima de tudo o mais.

Ao esboçar a criação de uma Fundação com o meu nome tive como pressupostos:

a) A exposição da minha imagem criada ao longo de muitas décadas de serviço ao próximo;

b) A oportunidade de ajudar os mais desfavorecidos a terem um objectivo nobre na vida;

c) Evitar que um grande número de jovens, ainda em idade de continuarem a sua formação, se vejam na contingência de entrar para o mundo do desemprego por falta de níveis académicos apropriados;

d) Utilizar a Fundação como pessoa colectiva de direito privado para a criação de uma Universidade que seja um centro de ensino e educação moral e cívica do Homem Moçambicano;

e) Ter uma Fundação que seja um elo de ligação para que quaisquer entidades interessadas neste projecto eminentemente social possam ter espaço para participarem;

f) Realizar todas as actividades ligadas à Fundação apenas para fins de carácter social, de interesse público e não lucrativo;

g) Cultivar o espírito de solidariedade social em todos os domínios;

h) Ajudar nos esforços para a erradicação da pobreza absoluta no nosso País;

i) Apoiar as diferentes iniciativas de carácter científico, académico, cultural e de investigação.

Como se pode registar, a fundação prossegue fins que convergem para o desenvolvimento integral da sociedade moçambicana, cultivando um profundo respeito pela dignidade da pessoa humana no seu todo e empenhar-se na erradicação da pobreza absoluta.

Como para alcançar estes objectivos é necessário ter um povo culto e instruído, entendi não poder dissociar a Fundação da criação de uma Universidade, não como sendo mais uma instituição de ensino superior de entre muitas, mas um espaço de aumento de conhecimentos científicos e académicos assentes no rigor e na especialização. Os quadros que vão ser formados deverão ser dotados de conhecimentos sólidos, pois o ensino de que vão beneficiar afastará qualquer hipótese de facilitação na atribuição de graus académicos.

A Fundação não poderá estar alheia à situação concreta da maioria dos candidatos ao ensino superior. O estado de pobreza absoluta em que o Povo Moçambicano vive não deverá por si só constituir entrave para que emergentes cérebros não tenham espaço e oportunidade de aproveitarem integralmente as suas capacidades. Através da Fundação poderão ser encontrados mecanismos para prestar o apoio necessário a esses jovens e dotar o País de quadros com formação superior de que se poderá depois orgulhar.

É também importante recordar que há muitas instituições e pessoas singulares, nacionais e estrangeiras, que desejam cooperar de forma mais efectiva nos esforços preconizados pela Fundação. Esta deverá criar espaço e tempo para congregar todos os apoios que surgirem.

Enfim, a Fundação será uma forma de projectar a imagem do País, interna e externamente, aproveitando a imagem criada por um dos seus filhos.

Somos Membro da ICUSTA (Conselho das Universidades no Espírito de São Tomás de Aquino).

http://www.icusta.org/

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